SER
Até onde escreverei que bastará? Guardo a dívida de um homem desafortunado. Você realmente me joga na parede, e num abraço crava-me o punhal que está atravessado de suas costas ao seu peito. Estamos feridos pelo mesmo golpe. Nosso sangue se espalha pelo chão. É tanto, que logo atingirá as paredes e tudo a nossa volta será vermelho. É a morte que se aproxima para ambos. Sua e minha. Nossas almas não querem mais esses corpos fracos, essas mãos que não são capazes de escrever uma palavra que baste.
Até onde escreverei que te bastará? Por que cobra de mim o que não posso fazer? É veneno. Não tenho como me proteger. Vá embora e não volte para me atormentar com suas exigências. Se baste sem mim. Encontre o seu caminho, que viverei o meu. Não tenho que lhe escrever, não tenho que me escrever. Continuarei entregue a um mundo perdido onde as palavras são jogadas no lixo. Onde é perda de tempo levar ao papel o resultado de meu último pensamento.
Não a quero! Compreende que preciso ficar só? Não produzo quando me pressiona. Vai embora! Sua força não me atingirá... sei que já estou fraco. Meu coração está parando. Vou virar um sopro. Vou virar vento e me espalhar.
Adeus, ó tentação de ser escritor.